Confissões - Agostinho de Hipona


Confissões - Agostinho de Hipona

Poucos livros atravessaram tantos séculos com tanta força quanto Confissões. Escrito por Santo Agostinho no final do século IV, este clássico cristão é, ao mesmo tempo, autobiografia, oração e profunda reflexão teológica. Em suas páginas, o bispo de Hipona narra sua busca pela verdade, a inquietação do coração humano, sua conversão ao evangelho e o poder transformador da graça de Deus.

Muito mais do que o relato da vida de um homem, Confissões é o testemunho de alguém que descobriu que nenhuma realização, prazer ou filosofia é capaz de satisfazer a alma criada para Deus. Cada capítulo conduz o leitor por temas como pecado, providência, arrependimento, graça, vontade humana, tempo, criação, interpretação das Escrituras e a alegria de conhecer o Senhor.

Esta edição foi cuidadosamente traduzida para oferecer uma experiência de leitura mais clara, organizada e acessível ao leitor contemporâneo. Não se trata de uma paráfrase ou adaptação livre. A proposta é preservar a profundidade teológica, a beleza literária e a poesia que fizeram desta obra um dos maiores monumentos da literatura cristã, apresentando-as em um português fluido e natural, sem os obstáculos que frequentemente afastam o leitor moderno dos grandes clássicos.

Além da tradução, esta edição organiza o texto com títulos temáticos, estrutura editorial renovada e um projeto gráfico exclusivo, tornando a leitura mais agradável e facilitando o acompanhamento do desenvolvimento do pensamento de Agostinho.

LEIA UM TRECHO:

Tu és meu único bem: diz à minha alma que és minha salvação

(01) Ah! Se ao menos Tu entrasses no meu coração e o inundasses de Tua presença, até que ele se embriagasse de Ti — para que eu esquecesse todas as minhas dores e Te abraçasse como meu único e verdadeiro bem! (02) Que és Tu para mim, Senhor? Tem piedade de mim e ensina-me a responder. Ou melhor: o que sou eu para Ti, que pedes meu amor com tamanha seriedade? E se não Te amo, Te indignas e me ameaças com sofrimentos terríveis. Mas será que já não é um castigo tremendo não Te amar? (03) Por causa da Tua misericórdia, responde-me, ó Senhor meu Deus: quem és Tu para mim? Diz à minha alma: “Eu sou a tua salvação” (Sl 35.3). Fala assim, para que eu Te ouça. Eis que meu coração está diante de Ti — abre-lhe os ouvidos e diz à minha alma: “Eu sou a tua salvação”. (04) Ao ouvir Tua voz, que eu corra para Ti com pressa e Te agarre com firmeza. Não escondas Teu rosto de mim (Sl 27.9). Que eu morra, se for preciso — mas não me deixes morrer sem ver-Te. Só quero uma coisa: contemplar Teu rosto.

A dor dos estudos e as primeiras orações
(01) Ó Deus, meu Deus, que sofrimentos e zombarias experimentei quando me impuseram a obediência aos mestres como virtude própria de um menino — tudo isso para que eu viesse a prosperar neste mundo e me destacasse na ciência das palavras, a fim de receber o "louvor dos homens" e alcançar riquezas ilusórias. (02) Fui então mandado à escola para aprender, sem entender que utilidade havia naquele saber. E, se me mostrasse preguiçoso nos estudos, era castigado com açoites. Era esse o costume aprovado pelos nossos antepassados — que, ao passar por esse mesmo caminho antes de nós, construíram trilhas árduas que agora éramos obrigados a trilhar, multiplicando fadiga e tristeza sobre os filhos de Adão (Gn 3.17). (03) Mas, Senhor, foi nesse tempo que começamos a ouvir dizer que os homens clamavam a Ti. E, segundo nossas forças infantis, aprendemos a pensar em Ti como alguém grandioso, invisível aos nossos sentidos, mas capaz de nos ouvir e socorrer.
(04) Assim, comecei, ainda menino, a orar a Ti, meu auxílio e refúgio. Soltei os laços da minha língua e Te invoquei, com fervor sincero — ainda que pequeno, com súplica não pequena — pedindo-Te que eu não fosse castigado na escola. (05) Mas, quando não me ouviste — não porque me abandonasses à insensatez, mas por sabedoria — meus mais velhos, inclusive meus próprios pais (que não me queriam mal), riam dos meus castigos. E para mim, aquilo era uma dor imensa e terrível.





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