Calvinismo, Uma paráfrase - Vol 2 - O Espírito Santo e a Santificação
O coração da vida cristã segundo João Calvino. Neste segundo volume, o reformador apresenta como a obra de Cristo é aplicada ao cristão por meio da fé, da justificação, da santificação e da ação do Espírito Santo. Em uma linguagem clara e acessível, esta paráfrase preserva o pensamento de Calvino enquanto torna sua leitura agradável para o cristão de hoje. Aqui, a doutrina ganha vida, mostrando como Deus conduz seus filhos em uma caminhada de fé, obediência e perseverança.
Neste volume você encontrará:
- A fé e a união com Cristo
- O arrependimento e a nova vida
- A justificação somente pela fé
- A santificação e o crescimento espiritual
- A vida de oração e a oração do Pai Nosso
- A liberdade cristã
- A vida cristã e a mortificação da carne
- A perseverança em meio às aflições
- A eleição e a predestinação
- A ressurreição e a esperança da vida eterna
- A providência de Deus na vida do cristão
- O chamado para uma vida de piedade
- A certeza da salvação em Cristo
- A comunhão com Deus pela obra do Espírito Santo
LEIA UM TRECHO:
O Espírito de Santificação Concedido por Cristo aos Seus
Para compreender com maior clareza este assunto tão importante, devemos lembrar que Cristo veio revestido do Espírito Santo de uma maneira singular: para nos separar do mundo e unir-nos à esperança da herança eterna. Por isso, o Espírito é chamado Espírito de santificação, porque nos vivifica e sustenta não apenas por aquela energia comum que se manifesta em toda a raça humana e também nos demais seres vivos, mas porque ele é em nós a semente e a raiz da vida celestial. Assim, uma das maiores glórias que os profetas atribuem ao reino de Cristo é a promessa de que, sob seu governo, o Espírito seria derramado com muito maior abundância. Entre as passagens mais notáveis está a de Joel: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2:28). Embora o profeta pareça limitar os dons do Espírito ao ofício de profetizar, ele dá a entender, por meio dessa figura, que Deus, pela iluminação do seu Espírito, formará para si discípulos que antes eram completamente ignorantes da doutrina celestial.
Além disso, embora Deus nos conceda o Espírito Santo por amor de seu Filho, ele depositou toda a plenitude desse Espírito no próprio Filho, para que fosse o ministro e dispensador de sua liberalidade. Por isso, o Espírito é chamado ora Espírito do Pai, ora Espírito do Filho: “Vós não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9). E, com base nisso, Paulo nos anima a esperar uma renovação completa: “E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8:11). Não há contradição em atribuir ao Pai a glória desses dons, pois ele é sua fonte e autor, e ao mesmo tempo atribuí-los a Cristo, em cujas mãos foram depositados para que os distribuísse ao seu povo.
Nossa Miséria em Nós Mesmos e Nossa Dignidade em Deus
A mesma doutrina é ensinada por Bernardo quando trata expressamente desse assunto em sua Quinta Homilia sobre a Dedicação do Templo: “Pela bênção de Deus, quando algumas vezes medito sobre a alma, parece-me encontrar nela como que duas coisas contrárias. Quando a considero tal como é em si mesma e por si mesma, a coisa mais verdadeira que posso dizer é que ela foi reduzida ao nada. Que necessidade há de enumerar todas as suas misérias? Como está carregada de pecado, obscurecida por trevas, presa por enganos, fervilhando de desejos desordenados, dominada pelas paixões, cheia de ilusões, inclinada continuamente ao mal e voltada para toda espécie de vício; enfim, cheia de vergonha e confusão. E se todas as suas justiças, examinadas à luz da verdade, são como trapos imundos” (Is. 64:6), “o que deveremos pensar de suas injustiças? ‘Se, pois, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são tais trevas!’” (Mt. 6:23).
“Que diremos então? O homem certamente foi sujeito à vaidade; o homem foi reduzido ao nada; o homem nada é. Contudo, como poderá ser totalmente nada aquele a quem Deus exalta? Como será nada aquele a quem foi dado um coração divino? Respiremos novamente, irmãos. Ainda que nada sejamos em nosso próprio coração, talvez alguma coisa de nós esteja escondida no coração de Deus. Ó Pai das misericórdias! Ó Pai dos miseráveis! como colocas teu coração em nós? Pois onde está o teu coração, aí também está o teu tesouro. Mas como somos teu tesouro, se nada somos? Todas as nações diante de ti são como nada. Observa: diante de ti, não dentro de ti. Assim são elas segundo o juízo de tua verdade, mas não segundo o afeto do teu amor. Tu chamas as coisas que não são como se fossem; e elas não são, porque as chamas de coisas que não existem; contudo, são, porque tu as chamas. Pois, embora nada sejam em si mesmas, ainda assim existem em ti, conforme a palavra de Paulo: ‘não por causa das obras, mas por aquele que chama’” (Rm. 9:11).

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