A Fé Cristã no Mundo Moderno - J. Gresham Machen


A Fé Cristã no Mundo Moderno - J. Gresham Machen

A Fé Cristã no Mundo Moderno reúne dezoito mensagens de J. Gresham Machen que marcaram a defesa do cristianismo bíblico diante do avanço do liberalismo teológico. Publicadas originalmente em 1936, estas conferências permanecem surpreendentemente relevantes para os desafios do século XXI. Com linguagem clara e sólida fundamentação bíblica, Machen apresenta a autoridade das Escrituras, a revelação de Deus, a pessoa de Cristo e as doutrinas centrais da fé cristã, mostrando que a verdadeira resposta para a crise do homem continua sendo o evangelho. Uma obra clássica da teologia reformada, agora disponível em português, cuidadosamente traduzida e contextualizada para uma nova geração de leitores.

J. Gresham Machen (1881-1937) foi teólogo, professor de Novo Testamento e um dos principais defensores do cristianismo reformado no século XX. Fundador do Seminário Teológico Westminster, deixou um legado duradouro na defesa da autoridade das Escrituras e da fé cristã histórica, influenciando gerações de pastores e estudiosos até os dias de hoje.

SUMÁRIO:

  1. Prefácio à edição brasileira
  2. Prefácio da primeira edição
  3. A Crise Atual e Como Enfrentá-la
  4. Como Deus Pode Ser Conhecido?
  5. Deus Falou?
  6. A Bíblia é a Palavra de Deus?
  7. Cremos na Inspiração Verbal?
  8. Devemos Defender a Bíblia?
  9. A Bíblia em Contraste com a Autoridade Humana
  10. A Vida Fundamentada na Verdade
  11. Deus, O Criador
  12. O Deus Trino
  13. O que é a Divindade de Cristo?
  14. A Bíblia Ensina a Divindade de Cristo?
  15. O Sermão do Monte e a Divindade de Cristo
  16. O que Jesus Disse a Respeito de Si Mesmo
  17. O Cristo Sobrenatural
  18. Cristo Ressuscitou dos Mortos?
  19. O Testemunho de Paulo Sobre Cristo
  20. O Espírito Santo

LEIA UM TRECHO:

Nenhuma pessoa sensata pode olhar para o mundo atual sem perceber que estamos vivendo uma enorme crise. Seja cristão ou não, todo observador cuidadoso consegue enxergar que a humanidade está à beira de um abismo. Diante de uma situação como essa, é compreensível que muitas pessoas achem que os problemas urgentes deste mundo já são suficientes para ocupar todos os nossos pensamentos. Não é difícil entender por que as dificuldades que estão diante dos nossos olhos acabam afastando a atenção de Deus e do mundo invisível. Quem pensa assim pode argumentar, com certa lógica, que aquilo que é mais importante para uma pessoa nem sempre é a primeira coisa que deve ser feita por ela. Se um homem estiver se afogando, a coisa mais importante para ele é ouvir o evangelho para a salvação de sua alma. Contudo, essa não é a primeira providência a ser tomada. Primeiro, é preciso tirá-lo da água. Enquanto seus ouvidos estiverem cheios de água salgada, ele sequer conseguirá prestar atenção à mensagem do evangelho. Assim, ainda que não seja a tarefa mais importante, a primeira necessidade é resgatá-lo e reanimá-lo. Somente depois disso será possível anunciar-lhe o evangelho para a salvação de sua alma.
À primeira vista, pode parecer que o mesmo princípio se aplica à humanidade como um todo. A humanidade está se afogando ou, mudando um pouco a figura, está presa na lama e afundando cada vez mais. Assim, alguém poderia dizer que a primeira tarefa é retirá-la dessa condição para que, somente depois de salva, ela possa voltar sua atenção para as realidades invisíveis. O argumento seria o seguinte: que a Igreja primeiro demonstre sua capacidade de enfrentar a crise concreta deste mundo e, se mostrar que consegue fazê-lo, então o mundo talvez considere que vale a pena ouvi-la quando ela falar sobre Deus. Esse raciocínio parece convincente. É plausível, mas é completamente falso.
[...]
Quando eu era muito jovem — tão jovem que havia poucas coisas em minha mente além disso —, eu tinha uma excelente resposta para essa pergunta. Era a resposta à terceira pergunta do Breve Catecismo, e ainda hoje considero que ela é extraordinária. Aliás, há outras cento e seis excelentes respostas nesse Catecismo, correspondentes às suas cento e sete perguntas. Certamente não chegaria ao ponto de repetir o que certo presbiteriano foi acusado de dizer: que o Breve Catecismo é mais importante do que a Bíblia porque seria "a Bíblia reduzida ao essencial". Contudo, também sou um presbiteriano convicto e afirmo que o Breve Catecismo, por sua admirável abrangência, sua fidelidade às Escrituras, sua solenidade e sua sensibilidade pastoral, é o resumo mais fiel e mais nobre do ensino da Bíblia que já conheci.
É justamente a terceira pergunta do Breve Catecismo que nos interessa agora: "O que as Escrituras ensinam principalmente?" A resposta é: "As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer a respeito de Deus e qual é o dever que Deus requer do homem." O que desejo destacar nessa resposta é que ela afirma que as Escrituras ensinam, em primeiro lugar, aquilo que o homem deve crer e, em segundo lugar, aquilo que o homem deve fazer. Ela coloca a verdade antes da conduta, a doutrina antes da vida. Em outras palavras, apresenta a verdade como o fundamento da conduta e a doutrina como o fundamento da vida.








Comentários